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Blog · Relatórios e gestão

Relatório de contencioso trabalhista para a diretoria

O que um relatório de contencioso trabalhista para a diretoria mostra: dinheiro por fase, CNPJ, tomador, TRT, escritórios, a fonte e a data de corte.

Mesa Jurídica · publicado em · 7 min de leitura

Gráfico impresso sobre uma mesa, com uma lupa ao lado

Um relatório de contencioso trabalhista para a diretoria responde a poucas perguntas: quanto está em jogo, onde, por quê e o que mudou desde o último. Ele mostra o dinheiro por fase, a carteira por CNPJ, por tomador e por tribunal, a concentração em escritórios e, ao lado de cada número, a fonte e a data de corte.

A diretoria raramente lê processo por processo. Lê um quadro, uma vez por mês ou por trimestre, e decide a partir dele: renovar um contrato, rever uma provisão, mudar um escritório, conversar com um cliente. Se o quadro mistura números de fontes diferentes, sem data, a decisão fica apoiada em algo que ninguém consegue conferir. Este texto propõe o que mostrar e como garantir que cada número tenha origem.

O que o relatório de contencioso precisa responder

Antes do formato, as perguntas. As que costumam aparecer numa reunião de diretoria:

  1. Quanto o contencioso ainda pode custar? Os processos em discussão, ainda sem decisão de valor.
  2. O que vai sair do caixa? Condenações e execuções.
  3. Quanto do caixa está preso? Depósitos recursais, garantias e bloqueios.
  4. O que pode voltar? Valores a levantar.
  5. Onde a carteira cresce? Por empresa do grupo, por cliente, por tribunal.
  6. De quem dependemos? Quantos processos estão com cada escritório e com a equipe interna.

As quatro primeiras são as fases do dinheiro, explicadas em Passivo trabalhista, CNPJ por CNPJ. As duas últimas são cortes da mesma carteira.

O que mostrar, em cinco recortes

RecorteO que mostraPergunta que responde
FaseEm discussão, está saindo, parado em juízo, pode voltarQuanto custa e quanto do caixa está preso
CNPJProcessos e valores de cada empresa do grupoOnde está o risco dentro do grupo
TomadorProcessos ligados a cada cliente contratanteQuais contratos geram mais processos
TribunalProcessos por TRT e por estadoOnde a empresa precisa de quem a represente
ResponsávelProcessos por escritório e pela equipe internaQuanto da carteira depende de cada um

Por fase. É o recorte que a diretoria financeira entende de imediato. Cada total vem com a cobertura ao lado: quantos processos daquela fase já têm valor real. Um total sem cobertura parece completo mesmo quando metade dos processos ainda não tem valor.

Por CNPJ. Cada empresa do grupo tem os seus processos, a sua certidão trabalhista (a CNDT certifica a empresa em relação a todos os seus estabelecimentos, CLT, art. 642-A, § 3º) e, muitas vezes, os seus escritórios. O recorte por CNPJ mostra se o risco está espalhado ou concentrado numa empresa.

Por tomador. Em empresas de terceirização, o cliente contratante costuma ser parte dos processos, porque responde de forma subsidiária pelo período em que recebeu o serviço (Lei 6.019/1974, art. 5º-A, § 5º). Contar processos por tomador transforma o contencioso em dado de contrato: quais clientes geram mais ações e em quantas o cliente também é réu. A regra está em Súmula 331 e terceirização, e a leitura por contrato, em Processos por tomador de serviço.

Por tribunal. A Justiça do Trabalho tem 24 tribunais regionais, e o mesmo grupo costuma ser processado em vários. O recorte por TRT e por estado mostra onde a carteira se concentra e onde vale ter quem represente a empresa.

Por responsável. Quantos processos estão com cada escritório e com a equipe interna. Quando um único escritório concentra a maior parte da carteira, a empresa depende dele para tudo: prazos, informações, valores.

De onde vem cada número

Um relatório para a diretoria é tão confiável quanto a sua origem. Três regras simples evitam a maior parte das discussões:

  • Uma lista só. Todos os recortes saem da mesma lista de processos. A soma dos relatórios de cada escritório não é a carteira: processos com outro escritório, ou com nenhum, ficam de fora.
  • Valor com fonte. Cada valor diz de onde veio (sentença, cálculo homologado, guia de depósito, estimativa da equipe) e de quando. Estimativas não se misturam com valores reais no mesmo total.
  • Uma data de corte. O relatório inteiro tem uma data. Um número de 30 de novembro ao lado de outro de 15 de dezembro não se compara.

O contexto ajuda a ler a carteira, desde que tenha fonte. Segundo o relatório Justiça em Números 2026 do CNJ, a Justiça do Trabalho recebeu 2,4 milhões de ações novas em 2025, 11% a mais que no ano anterior. Um aumento na carteira da empresa pode acompanhar esse movimento ou fugir dele, e a diferença é parte da conversa.

O que mudou desde o último relatório

A diretoria quer saber o que mudou, não só a foto. Uma página de movimentação resolve:

  • processos novos e encerrados no período, por CNPJ;
  • processos que mudaram de fase, em especial os que entraram em execução;
  • depósitos feitos e levantados;
  • acordos fechados e pagos;
  • processos sem responsável definido.

Essa página também aproxima o relatório da controladoria. A provisão segue o CPC 25, que pede, na nota explicativa, a movimentação de cada classe de provisão e a descrição dos passivos contingentes, salvo os de saída remota (itens 84 a 86). Quando o relatório da diretoria e a planilha de provisões partem da mesma lista e da mesma data, as duas conversas usam os mesmos números. O que a norma pede está em Provisão trabalhista e CPC 25.

Como apresentar: uma página por pergunta

O formato importa menos que a ordem. Uma sequência que costuma funcionar numa reunião:

  1. O total por fase, com a cobertura e a data de corte no mesmo quadro.
  2. A movimentação do período, com o que entrou, o que saiu e o que mudou de fase.
  3. A carteira por CNPJ, com as empresas em ordem de valor.
  4. Os tomadores, quando a empresa presta serviço a terceiros, com os contratos que mais geram processos.
  5. O mapa por tribunal e a carga por responsável.
  6. Os pontos de decisão: o que a área jurídica precisa que a diretoria decida.

Cada página tem um número principal, um gráfico simples e uma frase que diz o que ele significa. A tabela com os processos vai como anexo, em planilha, para quem quiser conferir. Assim a reunião discute decisões, e a conferência dos números acontece antes dela, com a planilha.

O que deixar fora do total

Algumas informações pertencem ao relatório, mas não ao total judicial:

  • Multas administrativas. Autos de infração do Ministério do Trabalho e de outros órgãos seguem caminho próprio até virarem cobrança judicial. Ficam num quadro ao lado, por órgão e por empresa do grupo.
  • Estimativas sem valor real. Quando um processo ainda não tem valor, ele aparece como sem valor, e a cobertura mostra quantos estão nessa situação.
  • Provisão. É uma classificação contábil, não uma fase do dinheiro. Aparece ao lado do quadro por fase, não somada a ele.

Como a Mesa Jurídica monta esse relatório

No módulo Relatórios e mesas da Mesa Jurídica, a diretoria tem a sua mesa, com dinheiro e risco, e a gestão jurídica tem a sua, com a fila e a carga da equipe. Os relatórios saem em Excel e CSV, e a apresentação em PowerPoint, de slides brancos, é gerada do painel com o financeiro, o mapa e a carga. Para ver como isso fica com a carteira do seu grupo, agende uma conversa.

Perguntas frequentes

O que é um relatório de contencioso?

É o retrato periódico dos processos em que a empresa é parte, numa data de corte. No contencioso trabalhista de um grupo, ele mostra quantos processos existem por empresa, quanto dinheiro está em cada fase, onde os processos se concentram e quem cuida deles, com a fonte de cada número.

O que deve ter um relatório de contencioso trabalhista para a diretoria?

O dinheiro por fase (em discussão, saindo, parado em juízo, a levantar), com a cobertura de valor ao lado; a carteira por CNPJ; por tomador de serviço, em empresas de terceirização; por tribunal; a concentração por escritório; o que mudou desde o último relatório; e a data de corte e a fonte de cada número.

O que são indicadores jurídicos?

São medidas que resumem a carteira para quem decide. No contencioso trabalhista, os mais usados são a carteira por fase, a cobertura de valor (quantos processos já têm valor), os processos novos e encerrados no período, a carga por responsável e a concentração por escritório.

O que é relatório de contingência?

É o nome que se costuma dar à lista de processos com a classificação de perda (provável, possível ou remota) e o valor estimado, usada para a provisão e para a nota explicativa. O CPC 25 pede a divulgação das provisões e, salvo quando a saída é remota, dos passivos contingentes (itens 84 a 86).